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Abril/2015 - Fábio Steinberg

C&VB, sopa de letrinhas que é anjo da guarda do turismo

No Brasil, há dois tipos de líderes. Há aqueles que crescem e aparecem por seus próprios méritos, e os que se apropriam de potenciais ansiedades coletivas para benefício pessoal. Isto é particularmente verdadeiro na área de turismo, um ambiente propício para oportunismos, egos inchados e falsos profetas.

Veja o caso dos Convention & Visitors Bureaux (C&VBs). Mesmo que pouco familiar para a maioria das pessoas, estas organizações desempenham um papel vital no mundo inteiro. Pois saiba que atrás do sucesso de um destino, há sempre a sua atuação. Entidades independentes, constituídas por empresários locais, não governamentais e apartidários, congregam o ecossistema do turismo visando contribuir com iniciativas e programas que permitam atrair mais visitantes e negócios para o local. Isto é feito através de promoções e captação de eventos. (Leia mais aqui).

No Estado de São Paulo não poderia ser diferente. A Fundação 25 de Janeiro – São Paulo Convention & Visitors Bureau, conhecido como Visite São Paulo, sob o comando de Toni Sando, tornou-se um modelo compartilhado por todo o Brasil. Com um conselho curador de 34 entidades e outro administrativo formado por empresários e executivos da cadeia produtiva de turismo e eventos, é apoiada por 750 empresas associadas. Fugindo ao modelo mundial de cobrar uma taxa de hospedagem aos visitantes, ilegal no país por ser uma bitributação sobre o imposto de serviços, aqui a contribuição é facultativa. Mais democrático, o sistema é reproduzido pelos 100 destinos brasileiros onde há CV&Bs.

Mas sabemos que o fracasso é órfão, e o sucesso germina infinitos pais. Pois bastou a gestão de CVBs mais estruturados ganharem visibilidade, para atrair interessados em tirar proveito próprio. Dou um exemplo. É questionável a Confederação de CVBx, atualmente sob intervenção, e repleta de pendências financeiras, de repente propor ao Ministério do Turismo e representantes do legislativo a instituição de taxas de hospedagem. Sequer consultou os maiores interessados, a começar pelo Visite São Paulo. Pode ser até legítima a intenção do presidente, mas com certeza há equívoco na forma. Até porque sabemos que a experiência brasileira demonstra depois que após um tributo é instituído ninguém sabe mais onde irá parar o dinheiro.

Lideranças verdadeiras devem dialogar e negociar com seus eventuais liderados antes de tomar atitudes que afetam o interesse de todos. Recomenda-se não fazer cortesia com o governo às custas do chapéu alheio. Até porque, neste caso, São Paulo tem mais a ensinar que obedecer. E este episódio poderia se transformar em raridade biológica, quando o rabo é que pretende conduzir o cachorro.

Fonte: Blog - Fábio Steinberg


  • Fábio Steinberg

    Fábio Steinberg

    Jornalista, Foi Executivo de Comunicação na IBM, AT&T, HILL & KNOWLTON e Rede Globo

*Carioca radicado em Sao Paulo, é jornalista, consultor em comunicação empresarial e autor dos livros Ficções Reais, Viagens de Negócios e O Maestro. Escreve em diversas publicações e mídias sociais sobre viagens, carreira, negócios e comportamento.

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