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Outubro/2014 - Fábio Steinberg

Wearables, companheiros de viagem

Um novo jargão acaba de entrar no vocabulário do consumidor antenado. Trata-se de uma tecnologia conhecida como “wearables” – que em tradução para o português se transforma num pavoroso “vestíveis”, até que alguma alma caridosa encontre um termo mais palatável. A verdade é que a computação nunca mais foi a mesma depois que se despiu do traje formal de lata, plástico e vidro. Desde então, passou a se incorporar também em objetos do cotidiano, como telefones, carros, eletrodomésticos e brinquedos. Chegou até a ensaiar tímidos passos funcionais nas vestimentas. Desde 1980 tem se materializado sob a forma de calculadora em relógios, brincos com microfones e gravatas com câmera para espiões, luvas que aquecem quando usadas, tênis inteligentes que medem calorias e distâncias percorridas por atletas, entre outros.

Mas nada se compara ao que ocorre no momento. Dois produtos emblemáticos contribuem para a disseminação acelerada do conceito. Um deles é o recém lançado relógio Apple, capaz, entre outras iniciativas, de informar onde as pessoas estão e o que fazem – um prato cheio para aplicações de produtividade e gestão de escritórios virtuais. O outro é o Google Glass. Companhias aéreas como a Virgin Atlantic estão testando o dispositivo em suas equipes para apoiar clientes de primeira classe com informações sobre voos, programas de milhagem, upgrades e condições climáticas.

O que isto tem a ver com o universo de viagens? Tudo. Os “wearables” tendem a se tornar companheiros assíduos do passageiro, principalmente o corporativo. Esta previsão é confirmada em pesquisa feita pela SITA em 30 aeroportos do mundo. Concluiu que 97% dos viajantes levam junto um smartphone, tablet ou laptop, e pelo menos um em cada cinco pessoas traz os três ao mesmo tempo. Todos os equipamentos, é claro, adotam tecnologias compatíveis com roupas e acessórios pessoais.

Como toda ferramenta inovadora, há efeitos colaterais, que atropelam especialmente o território da privacidade. Ao tornar pública sua localização e hábitos, o usuário pode ganhar em prestação de serviços, mas perde ao se tornar presa fácil do marketing de produtos e serviços. O lado bom é que um hotel pode acompanhar o voo do viajante para providenciar um quarto bem na hora do check-in, ou mesmo gerenciar o staff visando um tratamento mais personalizado. Da mesma forma, uma companhia aérea consegue tranquilizar um passageiro de que sua mala está a bordo ao compartilhar dados sobre rastreamento da bagagem. Mas há um lado chato. Por exemplo: restaurantes, lojas e serviços dos aeroportos conseguem invadir os dispositivos pessoais do viajante nos aeroportos com ofertas, sejam elas bem-vindas ou não.

Objeto de desejo de 71% dos jovens entre 16 e 24 anos, segundo a Forbes, os “wearables” chegaram para ficar. Uma pesquisa da ABI Research concluiu que graças à sua fácil compatibilidade com smartphones e dispositivos eletrônicos, o mercado de vestimentas inteligentes deve produzir 485 milhões deles até 2018.

Foto / Reuters


  • Fábio Steinberg

    Fábio Steinberg

    Jornalista, Foi Executivo de Comunicação na IBM, AT&T, HILL & KNOWLTON e Rede Globo

*Carioca radicado em Sao Paulo, é jornalista, consultor em comunicação empresarial e autor dos livros Ficções Reais, Viagens de Negócios e O Maestro. Escreve em diversas publicações e mídias sociais sobre viagens, carreira, negócios e comportamento.

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