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Novembro/2016 - Diogo Dias Fernandes Lopes

Guia de Turismo: a força do olhar que orienta o turista

Quem é este profissional?

O Guia de Turismo é um personagem estereotipado. Sua imagem está ligada ao profissional que faz city tours pelas cidades transmitindo uma grande quantidade de informações. E, às vezes, remete aos “guias mirins” ou aos motoristas de “bugres” que fazem passeios em dunas de areia em vários destinos turísticos.

Seja qual for o seu local de atuação ou sua especialidade, o Guia de Turismo verdadeiro é aquele que se capacitou ao realizar um curso técnico, que dura em média um ano e meio, e que assim pode obter a sua credencial ao se cadastrar junto ao Ministério do Turismo (Cadastur).

No curso, o profissional terá assimilado os conhecimentos necessários para desempenhar suas funções básicas, como a recepção, condução, orientação e assistência às pessoas e aos grupos. Quanto às categorias, um guia pode ser regional (restrito a uma unidade da Federação), de Excursão Nacional, de Excursão Internacional e Especializado em Atrativo Turístico (natural ou cultural).

Guia de Turismo é a única profissão do setor que é regulamentada por lei (Lei Federal 8.623/9). Nela, são apresentadas as atribuições profissionais, assim como indica que as pessoas que desempenham as funções dos guias sem permissão estão cometendo o crime de Exercício Ilegal da Profissão, segundo o Código Penal Brasileiro.

Muito além de uma credencial

Os conhecimentos adquiridos no curso propiciam ao Guia de Turismo o conhecimento técnico e específico sobre as regiões nas quais atua.

Saber como servir bebidas em um ônibus em movimento talvez seja a mais simples e melhor expressão sobre como o conhecimento técnico pode evitar o transtorno de derramar líquido em um cliente.

Outro conhecimento técnico importante contemplado nos cursos preparatórios é o de realizar procedimentos de primeiros-socorros em casos de emergência. Assim como o de saber quais são os recursos médico-hospitalares disponíveis na localidade.

Ter o conhecimento sobre técnicas de relacionamento interpessoal também é fundamental para que o guia desempenhe seu trabalho de interlocução entre as partes envolvidas na atividade turística: as empresas (transportadoras, agência de viagens, por exemplo), os profissionais (motoristas, monitores, outros guias) e os próprios clientes.
O simples ato de atravessar a rua com um grupo de maneira descoordenada pode causar um grave acidente.

Porém, de nada vale a técnica se não for complementada com a prática. Sem dúvidas como todos os profissionais o Guia de Turismo se aprimora à medida que atua.
O conteúdo da sua apresentação oral, por exemplo, vai sendo modificada de acordo com o que parece ser relevante e interessante não somente para si próprio, porém, principalmente ao seu público. Isso se dá pela observação e, sem dúvida, pela sua própria experiência de vida.

Sua interação prévia com diferentes culturas, com pessoas de diferentes faixas etárias e com os mais diversos tipos de personalidades, tudo isso faz com que o profissional entenda como deve se comportar e desenvolva a empatia com os seus clientes.

Toda a capacitação profissional trará o mínimo de segurança para os contratantes dos serviços turísticos do Guia de Turismo e promoverá a confiança do turista no profissional. Muitas vezes, o turista nunca esteve naquela localidade e muitas vezes não fala o idioma local o que o faz sentir um tanto quanto desprotegido. Obviamente, um Guia de Turismo fluente em diferentes idiomas tem maior campo de trabalho.

O bom Guia de Turismo na maioria das vezes não é aquele que sabe em detalhes inúmeras informações sobre um atrativo turístico, mas sim, aquele que cria um ambiente agradável entre as partes, estimulando a troca de ideias como se fosse entre amigos conversando. Em um mundo onde as tecnologias propiciam cada vez mais o acesso rápido às informações, o Guia de Turismo deve tentar interagir com o outro de modo a também estimular a interação deste com o lugar e com o residente.

Fazer um roteiro turístico num ônibus Sightseeing pode suprir alguma necessidade de informação, à medida que se escuta por meio de um fone de ouvido uma gravação, feita no seu idioma, que vai explicando sobre os locais turísticos. Porém, este recurso limita a experiência turística, por ser extremamente impessoal.

Imagine quanto mais interessante pode ser a experiência de comer uma fruta da região e conversar com um vendedor local sobre o time de futebol que ele torce. Escutar um músico de rua e descobrir em que lugar do país foi criado aquele ritmo. Saber um pouco da vida do Guia de Turismo que está lhe auxiliando a interagir e realmente vivenciar o local!

São essas as experiências que ficam gravadas na nossa mente ao viajarmos. Elas nos dão a certeza de que foram legítimas. E que nós mesmos fomos os protagonistas das nossas viagens e não meros expectadores.

Receptivo na cidade de São Paulo

A cidade de São Paulo é um destino consolidado no que chamamos de Turismo de Negócios. E segundo pesquisas do Observatório de Turismo da SP Turis (órgão de fomento ao Turismo da cidade de São Paulo) vem recebendo cada vez mais visitantes interessados nas opções de lazer que a cidade oferece. E como sabemos são inúmeras: grandes espetáculos musicais e teatrais, eventos esportivos, gastronomia, vida noturna, entre vários outros.

Mesmo viajando a trabalho, por razões de saúde ou por compromissos sociais, todos nós temos o interesse em ter momentos de lazer, não é verdade? E esse desejo cada vez mais se mostra como tendência nos estudos turísticos sobre os interesses dos turistas.

Assim, o Guia de Turismo, que atua em São Paulo, ainda que se especialize em um público com interesse específico (arquitetura, por exemplo) deve ter conhecimentos genéricos sobre os outros aspectos da cidade. Não pode ignorar sobre a história da fundação de São Paulo, sobre a localização dos principais equipamentos turísticos, sobre os melhores meios de locomoção na cidade.

Em alguns momentos o guia faz o papel dos concierges de hotéis ou dos guias turísticos (preste atenção neste termo), como fonte de informação. Ou poderá ter as respostas na ponta da língua, ou deverá ter acesso rápido às fontes de informação (os próprios guias turísticos, ou uma rede de contato de colegas de trabalho, por exemplo) que lhe propiciarão respostas aos mais diversos tipos de perguntas dos seus clientes, como: onde trocar dinheiro, onde é o melhor lugar para comprar sapatos ou pedras preciosas, qual restaurante serve comida halal (comida que segue determinadas regras de fabricação, segundo a religião Islâmica).

Inevitavelmente o Guia de Turismo acaba virando um fotógrafo. E se tem conhecimento sobre fotografia pode propiciar as melhores fotos que sem dúvidas irão para as redes sociais dos viajantes.

Outras vezes, para viabilizar a prestação de serviço para uma pessoa ou grupos pequenos, o Guia de Turismo torna-se “driver-guide”. Além de guiar o turista ele literalmente “guia” o veículo, geralmente um carro, sendo dele próprio (na maioria das vezes) ou alugado. Essa é uma demanda cada vez mais recorrente pelas agências de receptivo e, sem dúvidas, neste caso ser um bom motorista é imprescindível.

Como São Paulo é a principal porta de entrada de estrangeiros no Brasil, os guias muitas vezes atuam nos embarques e desembarques em aeroportos e também atuando na condução de pessoas entre os aeroportos e a cidade.

Guia de Turismo e não Guia Turístico

O Guia de Turismo tem a certeza de que as pessoas não o reconhecem quando são chamados de “guias turísticos”. É pior do que chamar uma bailarina de dançarina. A bailarina se sente de certa forma menosprezada porque quase sempre uma dançarina não tem a mesma formação.

Com o Guia de Turismo pode ser considerado pior porque a pessoa não está o associando a um profissional, já que guia turístico é o termo utilizado para as publicações, livros e impressos que trazem informações sobre destinos turísticos e seus serviços.

Apesar de lamentável isso é de alguma maneira compreensível devido à similaridade da escrita.

Formador de opinião?

Inegavelmente o Guia de Turismo direciona seu discurso de acordo com suas crenças. Porém, em minha opinião o mais importante é que o guia tenha comprometimento com a realidade.

O Guia, no turismo receptivo muitas tem autonomia para escolher as regiões que serão visitadas. Logicamente é agradável conhecer belos lugares, ver belas pessoas. Mas isso implica em ter uma visão limitada sobre o lugar. É possível entender o que é Cuba indo apenas para Varadero? Cancún, ficando restrito ao ambiente de um resort?

É impossível ignorar os problemas sociais que saltam às nossas vistas ao fazermos um tour mesmo que seja panorâmico pelo centro de São Paulo. Mesmo porque se os ignorarmos ou os escondermos esse problemas nunca serão resolvidos. O turista menos desavisado sabe que Nova Iorque, Paris, Barcelona, Atenas tem muito problemas similares aos nossos.

O Guia de Turismo, mesmo lamentando e inconformado, deve zelar pela segurança do turista, porém não deve esconder esses assuntos. Ele deve estimular o turista a fazer uma reflexão que muitas vezes o fará perceber que o pânico gerado pelas más notícias não se confirma quando se vivencia o cotidiano do lugar.

Mesmo consciente dos problemas da cidade devemos poupá-los de conhecer o lado belo que convive no mesmo ambiente? Se o fizéssemos o turista também não teria a oportunidade de conhecer a riqueza arquitetônica e notar no movimento das ruas como o paulistano é um povo trabalhador.

Na verdade o Guia de Turismo começa a entender que o turista passa a influenciar a sua própria opinião sobre a cidade apresentada, à medida que também conta como é o seu lugar de origem e o faz refletir e compará-los.

Para uma ampla experiência turística

Quando o trade turístico valoriza a importância do profissional Guia de Turismo, o destino turístico cresce como um todo. O Guia de Turismo “agita” todo o mercado local e por que não regional e nacional?

Ele estimula o visitante a conhecer de forma responsável a cidade de São Paulo ao atuar em harmonia com as boas práticas do turismo de base comunitária (ainda muito pouco difundido), com o turismo ecológico, com turismo pedagógico, com turismo religioso.
Estimula o visitante hospedado em São Paulo a conhecer outros lugares próximos e interessantes como Santos, Guarujá, Embu das Artes, Campos do Jordão, Aparecida, entre outros. Ou até mesmo conhecer outros destinos já consolidados como Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu, ou outros locais ainda não consolidados.

Uma cidade turística se fortifica ao estar inserida em uma região turística. E o Turismo de um país se fortifica com a consolidação de várias regiões turísticas.

Valorize o profissional Guia de Turismo. Sendo turista ou trabalhando com Turismo. Você o identificará ao vê-lo portando no peito, com orgulho a sua identificação.

Viva a diversidade de São Paulo e viva o Guia de Turismo!


*Turismólogo com MBA em Gestão de Negócios e Projetos. Realiza passeios entendendo as preferências dos seus clientes estrangeiros e brasileiros. City tour em São Paulo, Santos e Região, roteiros histórico-culturais, noturnos, sol e mar, gastronômicos, esportivos, fotográficos e de ecoturismo são algumas opções. Tem vasta vivência no exterior e acredita no poder interação entre o turista e o residente local para o desenvolvimento de uma atividade divertida, enriquecedora e sustentável.

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